Na última sexta-feira, 25 de outubro, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), conhecido por seu apoio fervoroso ao ex-presidente Jair Bolsonaro e por integrar a ala bolsonarista no Congresso Nacional. Gayer, um dos principais defensores do bolsonarismo e crítico das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), está sendo investigado por suspeita de desvio de recursos da cota parlamentar, que são verbas públicas destinadas a custear despesas dos parlamentares.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF, incluiu a apreensão de dispositivos eletrônicos na residência de Gayer e em locais ligados a seus assessores. A ação faz parte de uma investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR), iniciada em setembro, que aponta possíveis irregularidades e fraudes no uso da cota parlamentar, possivelmente destinadas a beneficiar uma organização privada. As acusações de mau uso de recursos públicos atingem diretamente um deputado que, em diversas ocasiões, defendeu a austeridade e o combate à corrupção, alinhando-se aos princípios propagados pelo bolsonarismo.
Gayer e o bolsonarismo: críticas ao Judiciário e questionamento sobre “democracia relativa”
Ao comentar a operação, Gayer classificou a ação como uma “democracia relativa”, em referência ao que ele vê como uma interferência do Judiciário em seu direito de expressão e atuação política. Ele sugeriu que a operação foi “deliberadamente” marcada para poucos dias antes do segundo turno das eleições municipais, insinuando que seria uma tentativa de influenciar o cenário eleitoral. Embora ele não seja candidato nesta eleição, Gayer tem atuado ativamente na campanha de um candidato de direita em Goiânia.
A crítica de Gayer a figuras do Judiciário, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, reforça sua postura alinhada com o bolsonarismo, que frequentemente questiona a atuação do STF e defende a liberdade de expressão irrestrita para seus aliados. Esse incidente ocorre em um momento em que a tensão entre bolsonaristas e instituições jurídicas continua em alta, especialmente em casos envolvendo o uso de verbas públicas.
Próximos desdobramentos
Até o momento, a PF não divulgou informações detalhadas sobre o conteúdo apreendido. No entanto, especialistas observam o caso como um potencial impacto na imagem do bolsonarismo no Congresso, dado que Gayer, um de seus porta-vozes mais ativos, agora enfrenta acusações de mau uso de recursos públicos.
Esse episódio promete abrir novas discussões sobre a transparência no uso das cotas parlamentares, além de aquecer os debates políticos e jurídicos, especialmente em um contexto de acirramento entre figuras bolsonaristas e o Judiciário brasileiro.