Apesar das mulheres serem maioria na população brasileira e em Colombo, isso não se reflete na política local. O eleitorado feminino é maior que o masculino, mas nas eleições deste ano, isso pouco contribuiu para o avanço da representação feminina, tanto no país quanto em Colombo. A única vereadora do município, Dolíria Strapasson (PSD), não se reelegeu, ficando na sexta posição entre os suplentes, com 1.012 votos. A diretora Catarina (PSD), outra candidata bem votada, alcançou 948 votos, figurando entre os 15 suplentes mais votados.
Diversas mulheres se candidataram no último pleito, incluindo a maior personalidade política do município, Beti Pavin (MDB), opositora de Hélder Lazarotto. Embora tenha tido um desempenho abaixo do esperado, Pavin mantém sua importância histórica, apesar da derrota significativa.
Excluindo as candidaturas de Dolíria e Catarina, as demais candidatas oscilaram entre 200 e 400 votos, levantando um debate que vai além de Colombo: o crescimento de mulheres eleitas no Brasil aumentou apenas 2% em comparação com 2020. Naquele ano, 9,3 mil mulheres foram eleitas vereadoras, contra 10,6 mil em 2024. O número de prefeitas subiu de 663 para 724, uma diferença mínima em um país com mais de cinco mil municípios.
Historicamente, Colombo teve poucas mulheres eleitas vereadoras, iniciando em 1988 com Beti Pavin, que foi a primeira mulher a conquistar uma cadeira no parlamento municipal. Pavin se destacou ao longo de sua carreira, tornando-se vice-prefeita, prefeita por quatro mandatos e deputada estadual, e ressignificando o cenário político de Colombo.
Desde então, o cenário mudou pouco. Dra. Rose Cavalli, com três mandatos como vereadora e um como vice-prefeita, é um dos raros exemplos de protagonismo feminino. Outras mulheres que ocuparam a Câmara ao longo dos anos incluem Maria Kozow, Marta Pinheiro, Michele Mocellin e, mais recentemente, Dolíria Strapasson.
A falta de apoio financeiro e a resistência de um sistema político predominantemente masculino são reclamações frequentes das candidatas. Muitas mulheres são convidadas a participar apenas como coadjuvantes, em candidaturas que servem de suporte para fortalecer figuras masculinas já bem posicionadas. Este padrão se repete a cada eleição em Colombo, perpetuando a hegemonia masculina no núcleo do poder.
A atual gestão destacou-se ao estabelecer 50% de cargos de chefia ocupados por mulheres, uma conquista promovida pelo prefeito Helder Lazarotto. No entanto, a ausência de uma vereadora no legislativo é um retrocesso significativo. A falta de formação política e de recursos financeiros para as candidatas impedem que elas alcancem espaço representativo.
É urgente que as mulheres se organizem, discutindo e se interessando por política não apenas em período eleitoral, mas diariamente, em casa e no trabalho. O predomínio masculino só será rompido se houver uma mudança estrutural e um engajamento constante. Afinal, foi essa postura ousada que permitiu a Beti Pavin romper barreiras e fazer história, enfrentando o poder masculino em sua época.
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